11

 

meu coração existe paralelamente ao mundo. não consegue, de forma alguma, encontrar o ritmo desta entoada insolente a que se submetem os outros todos que vivem, ali, do outro lado da paralela linha surda e muda e cabisbaixa. conheço dezenas assim. dezenas não. dá para contar nos dedos de uma mão os que vivem do lado de cá. mas milhares são os que ainda não ultrapassaram este muro de mim. e não tem arame enfarpado. e não tem guaritas de proteção. e não tem alarmes. e é seco também. e não passa uma brisa também. meu coração já foi mais úmido. se alguma sonda espacial pousassse sobre ele, saberia facilmente que ali já existiu vida também. e já correu lagos. até fósseis poderiam ser encontrados aqui, do lado de cá de mim sem arame enfarpado. sem alarmes. e seco também. há uma meia-água de vida aqui ainda. ainda. 

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4 Respostas to “11”

  1. cara…

    afuder.
    tu tá conseguindo passar um sentimento forte com teus textos…
    mais ainda que os do teu ultimo blog…
    esse em particular, me identifiquei.
    é foda, mas é….
    e talvez, além de tudo, não seja algo tão ruim…
    talvez isso seja, de alguma forma, alguma coisa boa.

    rapaizzzzzzzzzzzz,
    um abraço!

  2. Eu sei destas trincheiras. um beijo de cinzas.

  3. como diz minha amiga silvana…”é meu coração estragando meus outros órgãos”

  4. Eu não estou do lado de cá, nem de lá… mas se tem muro, pulo, prá te encontrar!

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